Eu o vi, foi como se o mundo tivesse parado; não podia sentir nada ao meu redor. As pessoas que por ali antes passavam, não mais as percebia; ventos que antes sentia, barulhos que antes ouvia, neste momento inexistiam. Tudo o que podia ver, sentir, ouvir agora seria ele.
Então, como se não pudesse evitar, lembrei-me de tudo; podia sentir a dor, sempre intensa, podia também sentir o amor, velho e desgastado sentimento, eu o culpava por isso.
Poderia desabar a qualquer momento, não sabia como ainda estava agüentando, parecia que não poderia fazer nada para evitar que acontecesse, mas de algum modo não aconteceu.
Via-se que ele compartilhava dos mesmos pensamentos, reparei em sua face, havia uma mistura de dor intensa, confusão, excitação, mas não poderia decifrar os motivos. Reparei que ele, distraidamente, andava em minha direção, e então percebi que estava fazendo o mesmo, e não conseguia parar.
Fui atropelada por uma multidão de sentimentos, todos confusos; havia arrependimento, saudades, dor, uma intensa vontade de correr para os seus braços. Mas, acima de tudo, naquele momento estava – mais uma vez – perdida e irremediavelmente apaixonada por ele.