Ele estava perdido havia muito tempo, perdeu-se enquanto procurava um local onde pudesse se encontrar.
Passou por lugares dos mais adversos a procura deste local, enfrentando o perigo, a escuridão, a solidão.
Ao contrario do que possa pensar, a desistência não o tentava, não era considerada uma alternativa. Desistir significaria morte, significaria arrancar sua alma com todo o requinte de crueldade que a situação exigiria.
No momento em que optou por esta vida, estava ciente de que não poderia mais mudá-la, seria como uma via sem retorno algum.
Quando nada mostrava resultado, quando ficava desanimado, cansado, buscava forcas na esperança, nos seus sonhos, praticamente os forçava a existir, eram seu estimulo, o que o mantinha em pé.
Enfim, um dia, tudo aquilo pareceu valer a pena. Enxergou, de muito longe, uma porta enorme, ela parecia esconder algo muito importante, algo valioso. Sua alma encheu-se de esperança, talvez aquele fosse o tal lugar que tanto procurava.
Reuniu toda a força que pode encontrar em seu corpo, correu desesperadamente e, finalmente, ficou em frente a ela, admirou-a. De perto, parecia ainda mais monumental.
Hesitou ao entrar, sabia que, se o fizesse, provavelmente não poderia mais sair, pois suas escolhas foram condenadas, ou fazia seu caminho com prudência, ou teria que conviver com as consequências para sempre.
Apesar dos riscos, não resistiu, fechou os olhos, abriu a porta com toda a coragem que conseguiu encontrar e entrou.
Sua coragem parecia tê-lo abandonado de repente, pois ainda estava no escuro de suas pálpebras. Aproveitou a covardia para pensar nos momentos de felicidade que poderia ter ali, no prazer que poderia sentir, esta situação sempre foi muito idealizado por ele. Desejou com tudo o que pode que tudo aquilo se tornasse realidade ao abrir de seus olhos. Segundos depois, o fez.
Descobriu um lugar, de certa forma, atraente, este local o fazia querer ficar, apesar de não satisfazer todos os seus sonhos. Sentia-se estranhamente feliz, ainda que não realizado.
Pensou em tentar procurar um local melhor, que estivesse a altura do que sempre quis, olhou pra trás, a porta ainda estava lá, poderia sair. Contudo, o receio de não achar, de continuar no nada por toda a sua vida, o fez ficar e dar uma chance ao que encontrou, dar uma chance a si mesmo.
Nos primeiros dias, surpreendentemente, ele foi feliz, ficou tudo bem. Porém vieram outros não tão satisfatórios, mas certamente ainda poderia sobreviver. Passaram-se alguns meses desta forma e, com eles, o certo deslumbramento da chegada foi indo embora.
Chegou um momento em que quase não havia mais beleza no lugar, tudo ia sumindo, e levava consigo, pouco a pouco, a felicidade que existia.
Logo não havia coisa alguma, o lugar tinha se tornado frio e cheio do nada.
A esperança sumiu de seus sonhos, não sobrou nada. Ele desejava sair deste lugar, mas, pra onde ir? Percorrer de novo um caminho a procura de algo parecido com o que tinha vivido?
Olhou para trás, a porta o tentava. Esperou mais alguns dias, acreditava que poderia continuar ali o quanto quisesse até tomar uma decisão, estava errado.
Paredes ao seu redor se revelaram e, de repente, tornaram-se uma ameaça. Pareciam estar cada vez mais perto. Elas o sufocavam, cobravam dele uma atitude.
Afinal, ficar e ver até onde elas poderiam ir, ou sair pela porta e continuar sua busca solitária?
Ele já podia sentir o concreto o tocar, estava nervoso, lágrimas caiam de seus olhos freneticamente. Não havia mais tempo.
Escolhas idiotas.
This is goodbye.
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