Só uma dica, o meu rosto não traduz o que acontece aqui dentro.
Então não se engane.
E: -Você não da noticias
V: -Não há razão pra te escrever
E: - Sabe, sempre quis nunca precisar te dizer isso, mas me pego sempre pensando em nós dois.
V: -Desde quando você se foi? Ainda não consigo ver onde que eu errei.
E: -Se um dia eu fiz você...
V: -Chorar?
E: -Sinto muito, sei que nem meses vão te recuperar, mas se eu soubesse eu tentaria te ligar. Você diz que...
V: -Eu sei, é só de amor que eu sei falar. Mas te dizer que amor não senti, é mentir pra mim.
E: -Mesmo que seja melhor do jeito que esta, não posso negar que eu quero voltar. Perdi completamente a razão ao encontrar você, preciso de mais uma chance pra mostrar que eu mudei.
V: -Não posso te deixar brincar com os meus sentimentos novamente, as suas palavras parecem se misturar num mar de falsas canções.
E: -Dessa vez vai dar certo, você vai ver.
V: Não tenho mais forças, não da mais.
Mais uma história com um final, mais um coração partido. Um novo fim pra um amor normal e mais um choro sem sentido.
This is it
Let go
Breath.
Ele estava perdido havia muito tempo, perdeu-se enquanto procurava um local onde pudesse se encontrar.
Passou por lugares dos mais adversos a procura deste local, enfrentando o perigo, a escuridão, a solidão.
Ao contrario do que possa pensar, a desistência não o tentava, não era considerada uma alternativa. Desistir significaria morte, significaria arrancar sua alma com todo o requinte de crueldade que a situação exigiria.
No momento em que optou por esta vida, estava ciente de que não poderia mais mudá-la, seria como uma via sem retorno algum.
Quando nada mostrava resultado, quando ficava desanimado, cansado, buscava forcas na esperança, nos seus sonhos, praticamente os forçava a existir, eram seu estimulo, o que o mantinha em pé.
Enfim, um dia, tudo aquilo pareceu valer a pena. Enxergou, de muito longe, uma porta enorme, ela parecia esconder algo muito importante, algo valioso. Sua alma encheu-se de esperança, talvez aquele fosse o tal lugar que tanto procurava.
Reuniu toda a força que pode encontrar em seu corpo, correu desesperadamente e, finalmente, ficou em frente a ela, admirou-a. De perto, parecia ainda mais monumental.
Hesitou ao entrar, sabia que, se o fizesse, provavelmente não poderia mais sair, pois suas escolhas foram condenadas, ou fazia seu caminho com prudência, ou teria que conviver com as consequências para sempre.
Apesar dos riscos, não resistiu, fechou os olhos, abriu a porta com toda a coragem que conseguiu encontrar e entrou.
Sua coragem parecia tê-lo abandonado de repente, pois ainda estava no escuro de suas pálpebras. Aproveitou a covardia para pensar nos momentos de felicidade que poderia ter ali, no prazer que poderia sentir, esta situação sempre foi muito idealizado por ele. Desejou com tudo o que pode que tudo aquilo se tornasse realidade ao abrir de seus olhos. Segundos depois, o fez.
Descobriu um lugar, de certa forma, atraente, este local o fazia querer ficar, apesar de não satisfazer todos os seus sonhos. Sentia-se estranhamente feliz, ainda que não realizado.
Pensou em tentar procurar um local melhor, que estivesse a altura do que sempre quis, olhou pra trás, a porta ainda estava lá, poderia sair. Contudo, o receio de não achar, de continuar no nada por toda a sua vida, o fez ficar e dar uma chance ao que encontrou, dar uma chance a si mesmo.
Nos primeiros dias, surpreendentemente, ele foi feliz, ficou tudo bem. Porém vieram outros não tão satisfatórios, mas certamente ainda poderia sobreviver. Passaram-se alguns meses desta forma e, com eles, o certo deslumbramento da chegada foi indo embora.
Chegou um momento em que quase não havia mais beleza no lugar, tudo ia sumindo, e levava consigo, pouco a pouco, a felicidade que existia.
Logo não havia coisa alguma, o lugar tinha se tornado frio e cheio do nada.
A esperança sumiu de seus sonhos, não sobrou nada. Ele desejava sair deste lugar, mas, pra onde ir? Percorrer de novo um caminho a procura de algo parecido com o que tinha vivido?
Olhou para trás, a porta o tentava. Esperou mais alguns dias, acreditava que poderia continuar ali o quanto quisesse até tomar uma decisão, estava errado.
Paredes ao seu redor se revelaram e, de repente, tornaram-se uma ameaça. Pareciam estar cada vez mais perto. Elas o sufocavam, cobravam dele uma atitude.
Afinal, ficar e ver até onde elas poderiam ir, ou sair pela porta e continuar sua busca solitária?
Ele já podia sentir o concreto o tocar, estava nervoso, lágrimas caiam de seus olhos freneticamente. Não havia mais tempo.
Escolhas idiotas.
This is goodbye.
Sinto-me tão sozinha aqui.
Sou tão afetiva, mas neste lugar não há afeto, preocupação, há só superficialidade.
Por que aqui ainda vivo? Não tenho escolha, ainda.
Sonho em poder ser livre, viver por mim, não depender de nada.
Nada que me faça sofrer.
Sinto que ninguém realmente se importa comigo, com os meus sentimentos.
Quando penso que sim, vem um brilho nos meus olhos, um sopro de esperança.
Depois noto que era só curiosidade, só por motivos fúteis.
Dói, muito.
Ninguém vê, ninguém se importa.
Calo-me.
Escondo-me
Tranco-me.
Vou para um mundo onde há pessoas que se importam.
Que me amam e que também amo, e demonstramos isso.
Ali sim, é o meu lugar.
Mas isso eles querem me tirar, alegam não significar nada; é só um mundo besta paralelo, afinal.
Mais uma vez, desvalorizada.
Nunca acaba.
E a cada hora que passa, a cada momento, sinto mais e mais esse desprezo.
Sempre errada, sempre, nunca eles.
Não posso mais.
Sinto-me uma visita indesejada.
Sinto-me não planejada.
Sinto-me rejeitada.
Mas o dia em que poderei devolver este desprezo chegará.
E vou poder fazer tudo o que sempre planejei fazer, quase como uma vingança.
Não, não vou fazer isso, não poderia.
Mesmo que consiga sair, nunca vou conseguir fazer a mesma coisa, não é da minha natureza.
Mais uma vez, sinto-me uma boba, mas enfim, tenho consciência disso, já é alguma coisa.
Até o dia em que poderei, finalmente, interromper este ciclo infernal, continuarei sonhando, sorrindo, chorando, sofrendo.
Terei saudades de tudo isso, eu sei.
Mas isso posso deixar pra depois.
Por enquanto, fingir que nada aconteceu ainda é a melhor solução, como sempre.